Ainda é bem difícil ser uma mulher gamer no Brasil

Você pode não saber, mas as mulheres passam por muitos desafios para jogar videogame com tranquilidade nesse mundo tão machista.

Enquanto boa parte do público da CCXP 2018 explorava os corredores abarrotados, encarava filas gigantescas e vislumbrava a chance de ver atores internacionais de longe, uma arena próxima à praça de alimentação trazia um outro tipo de entretenimento para os visitantes. Era a arena de jogos eletrônicos patrocinada por uma operadora de telefonia, que durante todo o evento realizou partidas competitivas de jogos famosos na atualidade – como League of Legends e Rainbow Six Siege.

No entanto, um detalhe chamou a atenção de quem passava por lá: o número de mulheres assistindo era bem baixo. Será que é pelo fato de os jogadores do campeonato serem apenas homens? Não dá para afirmar, mas boa parte das moças abordadas pela reportagem estava apenas acompanhando amigos ou então aproveitando as cadeiras para descansar em um evento tão exaustivo. Afinal, como é a participação das mulheres nesse universo dos videogames?

Cenário online opressor

A modernidade trouxe não só gráficos melhores para os jogos, mas também a possibilidade de se jogar com outras pessoas através da internet. Não apenas com amigos, mas a internet permite jogar com completos desconhecidos de qualquer canto do mundo, seja em partidas competitivas ou em disputas cooperativas. Em League of Legends, um dos jogos mais populares da atualidade, as pessoas precisam assumir funções distintas para cumprir os objetivos da área e derrotar o time adversário. Para esse objetivo ser atingido pela equipe, é necessária muita comunicação entre os membros do grupo para combinar a melhor estratégia e a melhor investida. E aí a coisa pega para mulheres.

Há inúmeros relatos na internet de mulheres que sofreram algum tipo de assédio em chat ou conversa de áudio. Mesmo sendo maioria por aqui (cerca de 58,9% dos jogadores brasileiros são mulheres, segundo a quinta edição da Pesquisa Game Brasil), elas acabam sendo inferiorizadas por homens ou então questionadas a respeito de seu conhecimento sobre videogames.

Uma saída encontrada pelas jogadoras para driblar o assédio na internet é a escolha do nome de usuário. Há uma preferência por apelidos masculinos ou sem indicação de gênero, tudo para que os outros jogadores não saibam que estão em uma partida com uma mulher.

Campeonatos femininos

Uma alternativa possível para mostrar o quão importante é a presença feminina nos jogos online seriam os campeonatos com participantes mulheres. Eles serviriam não só para mostrar que as mulheres podem jogar bem como também incentivaria mais garotas a entrarem nesses jogos competitivos. Mesmo assim, esses tipos de campeonatos ou ações ainda são muito raros.

Em outubro, por exemplo, a Brasil Game Show (o maior evento de games do Brasil) teve a ação de uma empresa que colocou apenas mulheres jogando Overwatch (outro jogo competitivo de bastante fama no mundo online de games, com destaque para o elevado número de personagens mulheres das mais variadas etnias e orientações sexuais). Foi um sucesso e repercutiu muito bem nas redes sociais.

Porém, esse parece ser um ponto fora da curva, pois há pouco investimento nos campeonatos com maior participação feminina. Quem sabe isso melhora mais pra frente, não é mesmo?

Veja mais em: MDEMULHER

Tags

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.